terça-feira, janeiro 24, 2006

crónicas de uma rapariga gira sem namorado aos 30 anos # 42

Estava a jantar com uns amigos e, para não variar, a conversa sobre o facto de eu não namorar. Eles namoram já há algum tempo e não sei se por curiosidade ou por se sentirem incomodados por eu não namorar, lá levaram a conversa para esse lado! Já estou habituada a que me façam perguntas sobre esse assunto. Uns dias chateiam-me, outros dias acho piada, mas nesse dia não consegui responder. Antes de entrar no restaurante tinha percebido que não tinha, nem nunca tinha tido de facto, a pessoa que havia amado em 7 anos da minha vida. Não pude responder, porque não quis desatar num pranto, ali mesmo no restaurante! Não naquele dia.

Parece-me que esta é a verdadeira razão pela qual eu não tenho namorado. A verdade é que me apaixonei por um ou dois rapazes durante esses 7 anos. A verdade é que eu fiz mais de três lutos por essa relação. A verdade é que eu nunca fui capaz de o fazer na realidade. Ele existiu sempre como pano de fundo… E com ele, tinha tudo o que precisava duma pessoa: amor, companheirismo, entendimento, paixão, diversão, partilha e intimidade. Nos dois anos finais, pensei que tinha as regras profundamente marcadas na alma, mas percebi que não… Achei que era capaz de controlar, mas a situação controlou-me a mim. E quando dei conta, era uma rapariga sem namorado, mas que teve sempre esse lado do coração ocupado por ele.

Às vezes, é por coisas assim, que se ficam anos sem se ter aquilo que se deseja. As minhas amigas dizem-me que eu perdi tempo com ele, eu acho que não… Porque no amor nunca se perde tempo! E eu não fui capaz de deixar isso. Por atracção pelo abismo, por falta de auto-estima, por não saber o que queria, por fé… Por o amar?! As mulheres têm muito disto. Uma tendência para estas paixões românticas, que não as levam a lado algum e um dia reparam que não lhes sobra quase nada. Conheci uma rapariga que viveu assim 20 anos e no final, ele casou com uma rapariga mais nova 10 anos do que ela; ela queria os filhos que nunca teve oportunidade de ter e, é uma pessoa com um ar triste…

Perguntavam-me tantas vezes porque é que não tinha namorado. Se era por ser exigente, se era porque não dava oportunidades, se era porque não queria, se… Se…Se… Pelo menos assim, talvez deixem de perguntar e de especular sobre o assunto! Talvez assim me perguntei como um amigo: “Então agora já estás livre de vender a tua casa e ir embora?!”

E hoje chorei, o que não quis chorar antes. Por vezes, uma rapariga gira sem namorado ao 30 anos também chora!

13 Comments:

At 11:32 da manhã, janeiro 24, 2006, Anonymous Anónimo said...

Muito bonita esta crónica.
Ainda bem que não fui ter contigo. Assim pudeste escrevê-la.
Beijinhos

 
At 4:29 da tarde, janeiro 24, 2006, Blogger Woman Once a Bird said...

Esta crónica podia ser subscrita por muitas pessoas (porque parece-me que não são sintomas exclusivos do género feminino). Obrigada pelo texto - em que te expões (e nos expões) completamente.

 
At 8:26 da tarde, janeiro 24, 2006, Blogger Elentári said...

Parabéns pela coragem.
Parabéns mesmo.

 
At 11:59 da manhã, janeiro 25, 2006, Anonymous Anónimo said...

Não são sintomas exclusivamente femininos. Garanto.

 
At 12:19 da tarde, janeiro 25, 2006, Anonymous Anónimo said...

mas quem acaba com a excelente "Por vezes, uma rapariga gira sem namorado ao 30 anos também chora!" já está a sorrir e a fazer sorrir quem a lê.

 
At 12:22 da tarde, janeiro 25, 2006, Blogger Ísis Osíris said...

Não é uma questão de coragem. É apensa mais uma crónica que espero que vos faça pensar em alguma coisa, que vos faça sentir qualquer emoção e que possam aprender qq coisa ;)

Além de que isto pode ter acontecido comigo ou não... Pode ser verdade ou não... ih!ih!ih!

Isto anda a ficar muito sério!

Tenho tantas para escrever... Ainda!

 
At 6:18 da tarde, janeiro 25, 2006, Anonymous Anónimo said...

chegaste ao ponto nevralgico da coisa.

 
At 7:17 da tarde, janeiro 25, 2006, Anonymous Anónimo said...

Tudo o q posso dizer é q uma vez o luto feito dessa historia estou certa q vês o mundo com outros olhos...Mesmo qdo se pensa q nao hà esperança à sempre qualquer coisa do outro lado...

 
At 11:32 da tarde, janeiro 25, 2006, Anonymous Anónimo said...

Serão sempre as tuas melhores palavras... Tem um "bocadinho" de todas as mulheres e olha que é um "bocadinho" que às vezes dói. Obrigada por partilhares, teve efeito libertador!

 
At 3:19 da manhã, janeiro 26, 2006, Blogger bonifaceo said...

Foi uma boa partilha, e como disseram, não é uma história exclusivamente feminina, eu também pertenço a esse leque, embora não me ache giro :D. Mas a mim, por exemplo, não me preocupo muito com a situação, quando for foi, se nunca arranjar ninguém azar.

 
At 4:57 da tarde, janeiro 29, 2006, Blogger Nuno Silva said...

Porque precisamos de ter namoradas(os)? Podemos ter um relacionamento com uma amiga(o), sexual ou não. Porque conversamos, convivemos, confidenciamos, partilhamos, fazemos de tudo por essa pessoa, ou varias! Isto não é uma relação? E se fazemos umas brincadeiras, qual é o mal? Não te entregues a uma so pessoa, entrega-te aqueles que estao sempre lá quando mais precisas. Os amigos!

 
At 3:10 da tarde, fevereiro 02, 2006, Blogger Ísis Osíris said...

nuno, existe uma frase que eu gosto muito, mas q penso q uma coisa não exclui a necessidade da outra!

" os namorados vão e vêm e os amigos são aqueles que ficam sempre lá"

 
At 9:56 da tarde, fevereiro 07, 2006, Blogger Castromind said...

Um homem não chora, boys don't cry. Por vezes.

 

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